O Facebook é um buraco negro para as marcas?

 

Cena de “The Black Hole” curta metragem de Sansom e Olly Williams - 2008

Os buracos negros tem uma força gravitacional tão grande que atraem toda a matéria (e até mesmo a luz) para o seu núcleo. Teorias antigas viam os Buracos Negros como destruidores, mas novos estudos apontam que eles estão entre os principais responsáveis pela atual organização do universo. Mas o que isto tem a ver com o Facebook?

Conversava hoje com o João Paulo Balthazar sobre o futuro das marcas no Facebook quando me dei conta da força de atração que a rede social está excercendo sobre as pessoas e as marcas, que vem aumentando gradativamente e está “sugando” todas as áreas conhecidas pelo Marketing na Internet: institucional, promocional, atendimento (sac/helpdesk) e o mais recente: e-commerce.

Para entender como isto nos afeta enquanto profissionais de marketing, precisamos estar atentos a questões básicas como…

1. A inversão do fluxo

Inicialmente usava-se a rede para levar tráfego para o site/blog da marca, onde acontecia a ação (visualização, promoção, venda, cadastro, etc.). Agora cada vez mais botões de “curtir” estão integrados nos espaços virtuais e de mídia das marcas, ou seja, os sites/blogs se tornaram direcionadores de tráfego para a marca no Facebook e, consequentemente, para a rede social.

O que está ocorrendo é uma inversão do fluxo de tráfego: antes o objetivo era transformar usuários de redes sociais em visitantes do site/blog, onde a ação seria ativada. Hoje, sem sentirmos, é transformar os visitantes em fãs da marca no Facebook, onde a ação é ativada!

2. Como o Facebook faz você pagar a propaganda do… Facebook!

Uma vez que a marca cria sua página no Facebook, ela precisa atrair fãs. Para isso pode usar os anúncios segmentados do Facebook, mas esta é a forma mais visível da rede ter lucro com a sua propaganda. Há outra forma quase imperceptível.

As marcas usam e-mail marketing, seu próprio site/blog, anúncios nos veículos convencionais (TVs, revistas, jornais), informativos, etc, etc, etc, para divulgar sua página na rede social. Já parou para pensar em quanto as marcas estão investindo nestas mídias para divulgar o Facebook sem perceber? Nem o Google conseguiu que pagassem para divulgá-lo!

É sutil e descarado demais!

3. A internet paralela do Facebook

O Pedro Doria escreveu um excelente artigo: A web paralela do Facebook, recomendação do Ronaldo Junior. Mostra como a rede social é fechada a indexação do Google, criando uma “camada” diferente da web que é organizada pelo buscador. É como se o Facebook fosse um buraco negro, atraindo o que está ao seu redor para atravessá-lo e chegar um “universo-web-paralelo”. Lembram de 2001: uma odisséia no espaço?

É possível trocar seu blog/site por uma página de fãs. Seu MSN pelo chat. Seu e-commerce pelo Likestore, entre outros aplicativos. E esta é a idéia do Facebook: fazer com que as grandes marcas e as pequenas empresas  troquem o que usam na web pelo Facebook.

Duvida? A agência Africa já trocou total. Jornais como o New York Times e o The Guardian, citados por Dória, já tem versões dos seus sites nas páginas de fãs. E o que o futuro reserva?

4. Social CRM: o futuro da rede

Para ver o infográfico completo clique aqui.

Com a integração de ferramentas de Social Commerce, logo os sites de e-commerce vão começar a migrar também. Meio assustador até a forma como o Facebook está se estruturando para absorver tudo. A “cereja do bolo” será quando desenvolverem e integrarem  ferramentas efetivas de Social CRM.

Imagine ter Marketing, E-commerce, CRM, SAC/Helpdesk, tudo dentro do Facebook. Segmentação de clientes, behavioral targeting, histórico… as possibilidades de lucratividade são imensas. E se isto estiver disponível não só para as grandes corporações, mas para cada pequena empresa no Facebook?

Sim, a rede está mirando nos pequenos também: vão lançar um programa educacional para ensinar os empresários deste segmento a usar os anúncios e fazer negócios aqui. Para isto o Facebook fechou parceria com a Câmara de Comércio Americana (US Chamber of Commerce) e a Federação Nacional de Negócios Independentes (National Federation of Independent Business), investindo mais de 10 milhões de dólares em propaganda gratuita que será distribuída entre 200.000 empresas. A informação é da Ad Age.

Parece muito? Bom, segundo o eMarketer, o Facebook gera 60% da propaganda que circula em sua plataforma. Tem muita gordura para gastar aí, então que seja ensinando empresários a gastar mais com a rede, certo?

Quem será o parceiro?

A minha pergunta é: quem será o parceiro para desenvolver Social CRM no Facebook? Oracle? IBM? Não sei, mas sei quem está do lado de Zuckberg: Obama. Como assim? Sheryl Sandberg, a Diretora de Operações do Facebook, é integrante do Jobs Council do presidente americano e o discurso é: “a rede social pode funcionar para movimentar a economia americana, gerar empregos, etc”. O preço? Sua privacidade, claro.

É caro ou barato? Sua privacidade não existe desde que você fez seu primeiro cadastro em uma loja. A diferença é que agora você terá uma timeline para sua história e, futuramente, os parceiros do Facebook terão uma timeline do seu histórico financeiro…

Welcome to the Social Jungle!

Para encerrar este post, Welcome to the Jungle, do Guns. Não que curta a banda, mas a letra é bem pertinente ao tema. Saca a tradução dos primeiros parágrafos:

“Bem-vinda à selva / Nós temos diversões e jogos

Nós temos tudo o que você quiser/ Querida, sabemos os nomes

Nós somos as pessoas que podem encontrar / Qualquer coisa que você precisar

Se você tiver o dinheiro, querida/ Nós temos sua doença”

E aí, o que você pensa sobre tudo isso?


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4 comentários: on "O Facebook é um buraco negro para as marcas?"

Ronaldo Junior disse...

Felipe, um amigo meu sempre dizia: "tudo que é novo é novidade". As marcas querem surfar todas as boas ondas e pra isso vão onde for necessário. O Facebook é a bola da vez e as empresas estão certas de seguir o caminho mais próspero, afinal de contas, todos temos contas pra pagar.

Achar que o poder desta plataforma é fogo de palha é subestimar a capacidade dela em pleno crescimento, mas a natureza humana mostra que grandes "impérios" duram apenas o tempo em que deixamos eles durarem. E quando digo deixamos é porque cada um de nós faz parte disso. Então, enquanto for cômodo, enquanto interessante deixarmos nossas opiniões, gastar nosso dinheiro, ou relacionar nossa história numa linha do tempo virtual, o faremos, assim que aparecer algo tão diferente quanto o facebook foi/é/será o substituiremos ou até manteremos nossa atenção dividida, porque tudo que é novo é novidade!

Sobre a discussão ética, já passamos por isso centenas de vezes. Disseram que a microsoft espionava nossas ações na internet e o google tomou o lugar dela, disseram que o google conseguia saber de tudo, e agora é a vez do facebook. Aí eu me pergunto: se é possível ter esse nível de controle, por que eles não estão mais no topo da discussão?

Ótimo post!

Abraços

JPBalthazar disse...

Meses atrás tive a oportunidade de ler o livro O Efeito Facebook e o autor já havia deixado bem claro que o maior objetivo do Facebook é ser uma plataforma onde quase tudo passe por ele, ou seja, sua analogia com um buraco negro está perfeita!
Este post complementou demais a visão sobre este objetivo.
Show de bola! Parabéns!!

Agne disse...

Obrigado Ronaldo!
Verdade pura. Charlene Li comenta sobre estas trocas de mídias e informações em uma excelente entrevista publicada pelo Mundo do Marketing aqui: http://www.mundodomarketing.com.br/7,20847,novos-facebooks-e-googles-surgirao-e-midias-sociais-podem-perder-efetividade.htm
Abraço e obrigado pelo comentário!

Agne disse...

Obrigado JPBalthazar! Vou atrás deste livro, boa indicação!
Abraço!

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