Linda de morrer: foto, arte, beleza e comida!


Conheci o trabalho de Daniela Edburg através de uma colega na UERGS, onde cursei Artes Visuais. Naquele tempo nem pensava em fotografar, tanto que meu TCC foi em Pintura, mas Drop Dead Gorgeous me seduziu.

Um pouco sobre Edburg

Nascida em Houston, Texas, Daniela cresceu no México. Estudou Artes Visuais na Universidade Nacional San Carlos, na Cidade do México. Começou na fotografia em 2001, conquistando espaço em diversos museus e galerias. Vendo os trabalhos, logo se entende o porquê. Drop Dead Gorgeous foi seu trabalho de conclusão de curso, o temido TCC.

O glamour e a morte


Ela tentou fazer o TCC em pintura, mas confessa que não tinha a habilidade a a reprodução neoclássica (eu também não tenho). Logo, partiu para a fotografia para explorar a relação entre o glamour e a morte. A relação entre pintura e fotografia é bem explorada em “O Pintor de Retratos”, livro de Luiz Antônio de Assis Brasil, conterrâneo que tive a oportunidade de assistir algumas palestras sobre a arte de escrever. Recomendo.
Mas voltando, o pulo do gato de Drop Dead Gorgeous foi criar um efeito de glamour, através de cores intensas, uma boa composição e humor para criar uma imagem estéticamente agradável sobre uma situação que seria horrível ou grotesca.

Morta por comida (no bom sentido)


Ao inserir a comida como “causadora da morte” em seus trabalhos, Daniela toca na questão da alimentação como causa de desespero de muitas mulheres. Já falei sobre este assunto no post Obesidade é Suicídio: propaganda ou apelação, sobre o viés da publicidade, por isso não vou me estender. Acho que uma boa solução para o problema está na proposta de Jamie Olivier, apresentada no TED Talks (em inglês).

Por que comida e cosméticos?


Segundo Daniela, a idéia partiu da sua própria relação compulsiva com a comida e os cosméticos: em um minuto eles lhe dão prazer, para em seguida provocarem um sentimento de culpa. Alguém se identifica?
“Fiquei surpresa com o quanto gosto dos produtos que consumo, mas se parar para pensar por um segundo, isso é um absurdo. Sim, você não consegue parar. Meu trabalho não é uma crítica, mas uma visão exagerada da minha própria realidade”, confessou a artista a Nicole Pasulka, do The Morning News, onde li boa parte de suas explicações.

How to: como fazer


Materiais: A artista primeiro escolhia sua “vítima”, geralmente uma amiga (amigos de fotógrafos e artistas sofrem). Então passava a compor o “pequeno mundo” que a personagem vivia, escolhendo as cores de acordo com o produto que seria o “assassino”. Selecionava todos os objetos que tinha daquela  paleta, incluindo roupas, e ia separando em pilhas por cores.
Cenário: os locais eram escolhidos de acordo com suas memórias, então eram familiares.

Ah, o cinema!


Para quem ainda não notou, as fotos são cheias de referência a clássicos do cinema (meu vício). Morta por Bananas é Pássaros, de Hitchcok. Morta por Algodão Doce vem do tornado de O Mágico de Oz. Monstros com tentáculos atacando estudantes japas é um clichê no cinema de horror japonês.

A morte é sedutora


Por que a morte é um assunto tão sedutor? Daniela diz que a ela torna tudo efêmero, especialmente a beleza. O que nos faz apreciar ainda mais, porque sabemos que vai terminar.
A morte é tão sedutora que mortos-vivos como vampiros atraem há gerações. Retratados de forma original por Bram Stoker; alternativos em Fome de Viver, de Tony Scott; intensos na série de livros de Anne Rice; até interessantes em True Blood; totalmente descaracterizados em Crepúsculo.
Guerra, um dos sete Perpétuos criado por Neil Gaiman, acredita que uma coisa existe para definir outra: sonhos definem a realidade, guerra define a paz, bem define mal, morte define vida. E a versão da Morte de Gaiman até que é bem apresentável (ver imagem acima).
Compulsões e arte

A arte fotográfica de Daniela Edburg foi baseada em suas compulsões, assim como os contos do Marques de Sade, as obras de Picasso (pesquisem sobre Dora Maar!), de Van Gogh, de Salvador Dali. Pessoas que encararam suas compulsões e as transformaram em algo mais, em algo que entra na linguagem universal da Arte.
A questão é: qual a compulsão que você pode transformar no combustível para tornar suas fotos, posts, enfim, seu trabalho (qualquer que seja) diferente, singular, interessante? Deixe seu comentário!
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6 comentários: on "Linda de morrer: foto, arte, beleza e comida!"

Deyse Joyce disse...

As fotos estao tudo,amei!!!!

http://deysejoyceblog.blogspot.com/

Bjins

spoilposts disse...

Pensando muuito, acho que como a gente acaba trabalhando muito e no final parece que o que recebos não paga tudo que queremos; acho que então escrever é uma maneira de "me contentar" com o que o meu trabalho pode me proporcionar - será ?!
Amei tudo, as imagens, e as conclusões !
Beijos
www.spoil.com.br

Aline disse...

como filha de fotógrafa posso dizer que parente e amigos sofrem muito! haha
adorei as varias cores na primeira foto! e me identifiquei com a compulsao da comida, dos cosméticos, de tudo... e vou pensar beem na pergunta do ultimo parágrafo... =]

;*

Agne disse...

Concordo, Deyse! Foi um trabalho muito sacado.

Agne disse...

spoilposts, acho que não é bem assim. Acho que isso só acontece quando não sabemos o que queremos, ou queremos as coisas erradas.

Agne disse...

Bah Aline, então sabe mesmo! Espero que ache a resposta da última pergunta: ela pode definir sua carreira, ou ao menos abrir um bom caminho.

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