Redes sociais: lições do homem pré-histórico



Cena de "A Guerra do Fogo", de Jean-Jacques Annaud. 
O homem dominou o fogo há cerca de 500 mil anos, durante o período mesolítico. Isso permitiu ao nosso ancestral, o homo erectus, tornar sua vida mais agradável, confortável e segura. Como bem lembrou Gil Giardelli no curso "Ações Inovadoras em Mídias Digitais", na ESPM, acender uma fogueira à noite espantava os animais ferozes, reunia a tribo e era a ocasião perfeita para contar histórias de caça, de comportamento, de aventuras e dos deuses. Para dominar o fogo, alguns precisaram se queimar, para que muitos pudessem aprender.


As novas linguagens e tecnologias assustam. 
Como bons descendentes, estamos há quase duas décadas lidando de forma mais acessível com um novo tipo de fogo: a Internet. E novos tipos de tribos se organizaram, formadas não mais por etnias ou por localização geográfica, mas por afinidades nas redes sociais. Tribos globais, onde cada integrante, ao propor um tema em um tópico no fórum, na comunidade ou no seu blog, acende uma "fogueira" que atrai seus semelhantes, gerando um espaço para compartilhar histórias e experiências. Qualquer um pode se conectar a sua tribo, seja em casa ou nas lan houses que se espalham pelo centro e periferia

 
Conexões de Nova Iorque com o mundo monitoradas por 24 horas. 
Nesse período "mesolítico digital" que vivemos, temos a figura do homo digitalis: pessoas que já nasceram com acesso a Internet e celular, que eram artigos de luxo no início da década de 90 e praticamente desconhecidos nos 80. Hoje são extensões do nosso cérebro, armazenando imagens, sons, textos, pesquisas e, principalmente, conectando pessoas. Para essa geração, aparelhos como PC, Notebook, Netbook, Smartphones (substituído por um Ipod Touch, no meu caso), não são vistos como tecnologia, mas como meios de relacionamento.

Índios nhambiquaras usando notebook. E você? Foto: Reuters
Resultados em nosso comportamento: somos mais imediatistas, mais informados, mais exigentes, abertos ao diálogo, a perguntar e a criticar ou elogiar. Há uma sede de conhecimento e reconhecimento consumindo os novos consumidores. E antes que pudéssemos discutir esse impacto adequadamente em minha cidade, estado ou país, vem a onda do Mobile, que dá outro artigo, mas dou uma prévia: os celulares nos ensinaram a escrever com os dedões ao invés dos indicadores e outros dedos acostumados aos teclados, conforme estudo de Silvio Meira publicado no livro "Do Broadcast ao Socialcast", que você pode baixar na íntegra aqui.


Compartilhar também é a melhor forma de aprender.
No que isso afeta as pessoas que trabalham nas empresas? Elas precisam aprender aquilo que o homem do período mesolítico sabia: a arte de acender fogueiras, de atrair pessoas e contar histórias, de gerar "calor humano". Precisam aprender a conversar com o consumidor de forma aberta, não só porque a transparência radical é uma das grandes tendências atuais, mas porque é uma necessidade imediata. O homo digitalis duvida da palavra das marcas, exceto as que ama pela qualidade que já experimentou em seus produtos. Acredita no conhecimento dos seus iguais que são experts em algum assunto. Contribui. Espera retorno imediato. Quer se relacionar. Ignorar as necessidades do cliente é o caminho mais rápido para a extinção. Você está escutando?

Obs: Recomendo muito assistir ao filme "A Guerra do Fogo". Se você tem alguma dúvida sobre a relação com o tema deste post, leia esta excelente resenha de Rodrigo Cunha.

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