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Perdi meu viral na enrolada

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O anti-case "Perdi meu amor na balada" é um dos epic fails mais tristes que vi nos últimos tempos. E não é triste só porque usou os sentimentos, a boa vontade e a empatia das pessoas que se identificaram e quiseram ajudar o Daniel Alcântara a encontrar o amor de sua vida: é triste porque  abusou deste sentimento.

É triste porque ainda tem os que aplaudem e apresentam isso como um sucesso mostrando números: mais de 90 mil no Facebook, mais de 800 mil assistiram o vídeo, mais de xyz curtiram, compartilharam, etc., x de espaço em matérias em revistas, jornais e sites. Ok, mas isso só mostra o quanto somos idiotas, tanto os social media quanto os clientes, porque números carecem de interpretação para fazer sentido.

Interpretando os números

As mais de 100 mil pessoas foram enganadas. Os jornalistas foram enganados. A única lógica que encontro para criar uma campanha dessas e colocar no ar é a dos golpistas do bilhete: a pessoa que cai no golpe sente-se tão envergonhada que não denuncia.

Interpretando os números, as pessoas não interagiram com a marca em toda a parte “boa” da campanha, entendendo-se por “boa” enquanto parecia ser real. Elas se engajaram com uma causa nobre, movidas por um sentimento nobre. A inserção da Nokia marcou o início do fail, que já estava anunciado desde o começo.

É o mesmo que acontece com gatos, cachorros, bebês e memes. Diretores de marketing, verifiquem as páginas de vocês no Facebook. Se o seu negócio não é pet shop, loja de artigos infantis ou um site de humor, a sua agência ou social media está enganando você apresentando números no relatório bonito que não representam uma interação com a marca, mas com coisas fofinhas e engraçadinhas.

Banalizando o amor


Não amo nenhuma marca, cidade, produto, comida. No máximo, eu curto. Amor é algo escasso hoje, então precisa ser bem direcionado. Amor é o que sinto pela minha família, esposa e amigos. Pessoas que não preciso pagar para experimentar seu perfume, para vestir seu abraço, para ouvir a música de sua voz ou ter a sua atenção.

Então parem de forçar a barra e banalizar o que é importante. Vocês, marcas, são meros acessórios. O amor pertence as pessoas e, se alguém o direcionar a vocês ou quiser expressá-lo através de vocês, é porque tem probleminha. E se vocês quiserem usar o amor das pessoas para aumentar suas vendas e lançar produtos, vocês tem probleminha.

Corações não batem por um logo: batem por pessoas. E vocês fizeram corações bater por pessoas para depois descobrirem que era apenas um logo.


Tá, mas e daí?


E daí que agora a Na Jaca e a Nokia vão ter que mostrar que são bons em lidar com gerenciamento de crise. Ninguém gosta de ser enganado e não adianta jogar uma câmera de 41 megapixels se faltou a lente da transparência, como a Claro fez na campanha de Dia dos Namorados com o vídeo Eduardo e Mônica.

Eduardo e Mônica são personagens fictícios que mexem com o sentimento das pessoas reais através de uma estória que expressa uma verdade: o encontro do amor. Daniel Alcântara é uma pessoa real que mexeu com os sentimentos das pessoas reais através de uma mentira sobre a perda do amor.

A diferença entre os casos está na suspenção temporária da descrença. Basicamente, é o que te permite acreditar no inacreditável e se emocionar assistindo um filme, uma peça de teatro, uma cena de novela, ou lendo um livro, ou vendo um vampiro virar vaga-lume, para ficar num exemplo recente. Você encontra ali uma verdade fundamental que faz a ficção se tornar crível.

Mas ok, você sabe que é ficção e “topa” participar da brincadeira, digamos assim. Quando não te dão esta opção, deixa de ser arte ou ficção e se torna uma mentira. E, como centenas de pessoas não curtiram uma mentira, agora vão compartilhar o mesmo sentimento de frustração, que é exatamente o que será agregado a marca.

Percepção é realidade?

Isso se torna mais grave quando vemos a movimentação das redes sociais no exterior. A última pesquisa da AdAge, divulgada no dia 9 de julho, mostra que 45.9% dos marqueteiros tem como principal objetivo aumentar a percepção e o sentimento pela marca. 17,6% falaram em direcionar tráfego para seus sites. Construir uma base de fãs ou perseguir “likes” está em terceiro, com 12,1%.

Ou seja, quando a marca finalmente foi “percebida” na campanha da Nokia, o sentimento gerado foi negativo. Um excelente trabalho no sentido oposto do que o mercado vai. E toda percepção positiva que poderia ser apresentada em números para o cliente se esvai diante da triste realidade.
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Social Media Revolution (parody)


O video Social Media Revolution, criado por Erik Qualman e Evan Kutsko para o canal Socialnomics, é muito utilizado em apresentações sobre as redes sociais por ser uma síntese do atual status das redes sociais no mundo. Mas, como é regra geral da humanidade, todo original tem uma versão cômica e uma versão pornô. Vale para tudo, desde Star Trek até, acredite, Sailor Moon. A paródia de Social Media Revolution já começa chutando o balde: "60% dos jovens abaixo de 20 anos lê um livro por ano: chama-se Facebook". E por aí vai. Assista na íntegra:


O video original (e sério) está disponível aqui:


Há ainda uma versão exclusiva para o mercado brasileiro:

 

E como falei em um versão pornô, ainda não fizeram o vídeo, mas tem este infográfico publicado no Ponto Eletrônico. Destaque para a sessão "Se alguma coisa existe, ela também exxxiste":


E aí, conseguiu identificar os gêneros?
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Um blog chamado desejo

"Eu sei que fiz um bom negócio. Afinal, 50% do charme de uma mulher é ilusão."
Blanche DuBois


Ela aspira a virtude, a beleza e a cultura que não possui. Através de fantasias e delírios, pocura esconder de si mesma e dos outros a realidade em que vive, tentando parecer mais atraente, mais inteligente e mais desejada do que realmente é. Me impressiona como a descrição de Blanche DeBois, personagem criada por Tennessee Willians para a peça "Um bonde chamado desejo", de 1947, é semelhante ao que podemos encontrar atrás do teclado que alimenta muitos blogs hoje.

Blanche vive em um mundo de ilusões, onde a mentira se mistura a verdade, criando conflitos que se agravam até que ela tem uma crise nervosa. E no final suas palavras soam vazias como um apelo a seguidores de uma rede invisível: "Eu sempre dependi da bondade  de estranhos...".

Ilusões, mentiras e verdades

"Eu não quero realismo, eu quero magia"
Blanche DuBois


Os blogs começaram como diários pessoais. Cresceram como mídia, atraíram marcas, ganharam credibilidade e... criaram um mercado para o qual os profissionais de agências e os próprios autores estavam despreparados.

Como resultado vimos mudanças profundas e bacanas no relacionamento das mídias tradicionais, que a princípio negavam os blogs e colocavam sua credibilidade na berlinda. Até que o jogo se inverteu e grupos de comunicação passaram a investir neste novo ecossistema de informação e... influência. Surgiram as redes de blogs com modelos comerciais estruturados, mas o sucesso é uma merda: atrai milhares de moscas.

E vimos na blogosfera o que já tínhamos visto nas lojas de R$ 1,99: o sucesso, a multiplicação, o inchaço, a repetição das mesmas informaçõe/produtos por preços cada vez mais baixos e insustentáveis. O mercado se degradou, se prostituiu e hoje está em crise. O termo blogueiro, que já foi maldito e depois virou símbolo de status, agora é usado em tom pejorativo. E qual a causa disso?

Diferença e Repetição

Pensamos que, quanto mais blogs, mais visões diferentes teremos. Só que não. O que encontramos são cópias das cópias das cópias. Fico tentado, mas não vou entrar em Deleuze aqui. A questão é que a repetição matou o que tornava os blogs diferentes das mídias anteriores e entre si: a possibilidade de uma expressão singular de identidade, de opinião, de posicionamento diante do mundo. 

Corruptos e corruptores


Diante deste mercado desestruturado, as marcas criaram monstros para se alimentar deles, mas os monstros também queriam devorar as marcas. Instaurou-se o caos e hoje há uma crise que não diria que está na esfera da credibilidade, mas da identidade.

Este cenário proporciona o acontecimento de casos como o do lançamento do protetor solar Filtrum, onde o laboratório Libbs, através da agência Tino Comunicação, enviou um email onde colocou como exigência para participar da ação que as blogueiras mentissem, dizendo que usaram o produto por indicação do dermatologista. Ou seja, falarem em nome de um médico.

Onde quero chegar? Na questão que a responsabilidade por este caos não é só de blogueiros, mas também de agências, de profissionais e de marcas. O mais triste é que a falha não está na preparação profissional, mas na ética, nas pessoas.

Há esperança?

"O lobo na porta não é a privação, mas o luxo, e suas presas são as vaidades e conceitos que o sucesso traz. Pelo menos sabendo disso você pode identificar onde mora o perigo". Tennessee Willians

O autor de "Um bonde chamado desejo" escreveu posteriormente um artigo chamado "Um bonde chamado sucesso". Nele, explora as consequências da fama, este fogo-fátuo que parece estar consumindo a essência das pessoas, transformando-as em cascas vazias dispostas a se expor sem o menor pudor.

Willians propõe reflexões interessantes, como sobre o "ser alguém". Para o dramaturgo, a única pessoa que tem valor não é a que o público percebe de você (uma ficção), mas o ser solitário que existe em você desde a sua primeira respiração, que se moldou através da soma de suas ações e chega ao seu ápice quando se torna a expressão da sua vontade. É o conhecimento deste verdadeiro eu que se torna a chave para a sobrevivência ao sucesso (ou ao desejo dele).
E encerro este artigo com uma tradução do final do artigo "Um bonde chamado sucesso":

"Então o que é bom? Ter um interesse obsessivo nos assuntos humanos, além de uma certa quantidade de compaixão e de convicção moral, aquilo que faz você transformar a experiência de viver em algo que deve ser traduzido em pintura, música, dança, poesia, prosa ou qualquer coisa que seja dinâmica e expressiva - é o que é bom para você, se você tiver objetivos claros. William Saroyan escreveu grandiosamente sobre este tema, ao afirmar que a pureza do coração é o único sucesso que vale a pena ter. ‘No momento de sua vida - viver!’ Que o tempo é curto e não volta. Ele está indo embora. Enquanto eu escrevo isso e enquanto você lê, o tic-tac do relógio repete 'perda, perda, perda', a menos que você dedique o seu coração para se opor ao que está sendo perdido".
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O melhor blog do mundo


Atualizações de feeds, timelines, tweets, hashtags, emails, newsletters, sms. Assim que abro o notebook meus olhos são invadidos por milhares de informações que jorram de todas estas torneiras abertas: Facebook, Twitter, Pinterest e Instagram, para ficar nos básicos. Imagens, videos, músicas, correntes, um mar de emoções de depressão, alegria, inspirações e decepções que tenta me afogar sem a menor cerimônia porque sim, eu permiti.

O problema é que, por ver tantas coisas, tudo acaba parecendo igual. Isso vale para pessoas, para empresas e para marcas, como bem lembrou a Júlia Petit na palestra que assisti na Escola Panamericana de Design este mês. E ainda rolou um papo com ela após o evento.


As frases/imagens inspiracionais, as pseudo-piadas, os memes, as reclamações, os protestos, os encontros e os desencontros... Perdi as contas de quantas vezes vi o Willy Wonka este mês. E quando parece que estou livre de um assunto, um retardatário o ressuscita e começa tudo de novo.




Dizem que neste universo virtual você é o que você compartilha. Duvido. É muito fácil curtir e compartilhar coisas prontas e se esconder atrás delas. O difícil é criar. É pegar esse jorro de informações e transformar em conhecimento e, talvez, em algum auto-conhecimento.

Tá, mas e daí?


"Nascemos originais e morreremos cópias", dizia Carl Jung. Hoje blogs nascem para ser iguais, tratar dos mesmos assuntos, das mesmas marcas, dos mesmos padrões, celebridades, "baphos". Ganha quem tem mais velocidade e com isso o conteúdo fica comprometido. As pessoas se anulam e seguem a opinião que está ganhando.


A nova moda é estampa zebra e o point é a coluna do meio.

E não falo só em blogs simples. Estou farto de matérias copiadas da Trendland, por exemplo. Quando abro meu navegador tenho a impressão de estar no meio de uma batalha de "A Guerra dos Clones": de um lado stormtroopers, de outro robôs, e um que outro jedi perdido na multidão.



Pior é empresa que tenta se comunicar usando linguagem de blogueira.
Identidade da marca pra quê?

A novidade é que descobri porque isso acontece, a razão pela qual essa mesmice está tomando conta da Internet: muitas pessoas ainda não descobriram que o melhor blog do mundo é... o seu próprio blog. E a única razão para ele ser o melhor é que você pode fazer o que quiser neste espaço, moldá-lo a sua imagem e semelhança, fazê-lo representar seu pensamento diante do mundo.


Tenho uma idéia...

E agora, o que muda?


Acho que não precisamos de mais blogs que dão "notícia em primeira mão" (mesmo que seja em segunda ou terceira, na realidade). Não precisamos de cópias de posts se multiplicando mais rápido que um ataque de Gremlins. 

Decepcionada com o cinema, ela abriu um blog sobre o "universo feminino".
E sim, a alimentaram depois da meia-noite.

Mesmo que para você seja de graça, tudo que publicamos usa energia, espaço de armazenamento, gera gás carbônico, torna necessária a construção de mais hidroelétricas, termoelétricas e usinas nucleares. Além de chato, pelo volume a clonagem de posts é mais anti-ecológica que uma marca usar pele de animais para fazer roupas.



Imagine que para cada post que você copia, um filhote de foca morre na Antártida.

Um bom exercício é se perguntar antes de postar: "tenho algo a acrescentar a este assunto além do que já foi dito?". Se a resposta for sim, vai fundo. Do contrário, vá atrás de outra coisa. Se você tratar o seu blog como o melhor do mundo, além de ganhar tempo, respeito e credibilidade, talvez a "clonosfera" possa finalmente voltar a ser a blogosfera.
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Project Glass ou Eyephone?

 
O Google anunciou hoje o Project Glass, uma nova tecnologia que tem o objetivo de conectar as pessoas para que elas compartilhem seus momentos em tempo real através de um óculos. Os comandos para tirar fotos, compartilhar, fazer chamadas e assim por diante serão por voz. Para ver como deve funcionar, assista o vídeo.


De acordo com informações do The New York Times, o produto deve estar a venda até o final do ano, a tempo de aproveitar as vendas de Natal. A publicação brinca que as pessoas terão uma visão do mundo no estilo "Exterminador do Futuro". Você pode acompanhar a evolução do projeto na página do Google+.

Tá, mas e daí?

Daí que, se você leu meu post de ontem ("Conectados, mas sozinhos?), verá que a tendência ao isolamento ao contato real deve se agravar. A necessidade de interação pessoal está cada vez menor, embora ela seja a chave do nosso crescimento pessoal.

O projeto me lembrou de cara o espisódio "Eyephone" de Futurama:


Embora eu curta a tecnologia, fico com um pé atrás com estes devices que nos deixam conectados full time. Vejo cada vez mais que o maior desafio na educação das novas gerações será ensiná-los a importância de viver desconectados, de não interromper momentos mágicos para falar "Tire uma foto", "compartilhe com meus círculos", e assim por diante.

E o marketing e as redes sociais com isso?

Imagine outdoors, anúncios em revistas, pontos de venda (PDVs) e todo tipo de mídia se ajustando para se tornar mais "compartilhável". Se este projeto se tornar realidade, o Google estará introduzindo novas variáveis em velhos sistemas (mais uma vez). Quem leu o post "O On no Off: o virtual invade o real" pode ter uma idéia do que nos aguarda.

E você, o que acha?
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Conectados, mas sozinhos?



Houve um tempo em que convivíamos mais, conversávamos por um intervalo maior de tempo olhando nos olhos uns dos outros. Hoje podemos estar sentados lado a lado, mas achamos mais fácil enviar um tweet, um post, um recado no skype ou msn. Logo será uma imagem no Pinterest ou no Instagram.

Sherry Turkle fala neste video sobre o isolamento ao qual nos confinamos quando estamos na companhia de outras pessoas. Colocamos nossos fones de ouvido e vamos para outro mundo. Estamos vivendo um momento e o interrompemos para uma foto, um tweet, um sei lá o quê. Partilhamos mais bits que minutos juntos. Estamos dominando ferramentas poderosas, mas nos fragmentando no processo, fragmentando o potencial de nos conhecermos uns aos outros.



Nós usamos estas conversações com outras pessoas para aprender a construir conversações com nós mesmos, a refletir, a crescer. E isso vai além de compartilhar imagens e mensagens bacanas: significa construir histórias sobre o que sentimos e ter um retorno mais gratificante do que um curtir e uma ou duas frases antes da próxima imagem colocar nossos sentimentos abaixo nas timelines da vida.

Então ficamos com um desafio: usar outras formas de mostrar que nos importamos com as pessoas que vão além dos bits. Falar mais com as pessoas ao nosso redor e menos com seus avatares. Lembrar que nossa primeira rede social é a família, a segunda os nossos amigos, a terceira o nosso trabalho e as demais são apenas complementos.

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Breve história da comunicação

Uma breve história dos meios de comunicação por Cyril Calgaro.
SINCE... from Cyril Calgaro on Vimeo.
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12 marcas fashion no Pinterest



O Pinterest é  rede certa para quem tem sede de belas imagens. Se você curte moda, segue uma lista com 12 marcas fashion que estão na nova rede:
  1. Ann Taylor
  2. Barneys New York
  3. Bergdorf Goodman
  4. Club Monaco
  5. DKNY
  6. Gilt Baby and Kids
  7. Kate Spade New York
  8. Land’s End
  9. Maybelline
  10. Rent the Runway
  11. Tarte
  12. Warby Parker
Tem mais alguma que você recomenda?
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